As assinaturas eletrônicas transformaram a forma como empresas e pessoas formalizam documentos. Assinar documentos à mão, digitalizar, enviar por e-mail e aguardar a outra parte repetir o processo. Se essa sequência ainda faz parte da sua rotina, você já sabe o custo que ela tem em tempo, em dinheiro e em risco operacional.
Felizmente, as assinaturas eletrônicas resolvem esse problema. E no Brasil, elas têm validade jurídica garantida por lei. Neste guia, você entende o que são, quais os tipos disponíveis, como se diferenciam da assinatura digital e como escolher a plataforma certa para a sua operação.
Veja também: Guia completo da assinatura digital
O que é assinatura eletrônica?

A assinatura eletrônica é qualquer mecanismo digital que permite a uma pessoa manifestar sua concordância ou autoria sobre um documento de forma eletrônica. Além disso, tem validade jurídica equivalente à assinatura manuscrita.
Na prática, ela substitui o processo físico de assinar papel: o documento é enviado digitalmente, o signatário assina de qualquer dispositivo com internet e o arquivo registra quem assinou, quando e de onde.
O conceito é mais amplo do que parece. A assinatura eletrônica engloba diferentes tecnologias e níveis de segurança. Ela vai desde um simples clique em “aceito os termos” até processos com verificação biométrica e certificado digital.
Tipos de assinaturas eletrônicas
A legislação brasileira e as práticas de mercado reconhecem diferentes tipos de assinatura eletrônica, classificados principalmente pelo nível de segurança e pelo método de autenticação utilizado.
Assinatura eletrônica simples
É a modalidade com menor nível de verificação de identidade. Utiliza dados básicos do signatário. Por exemplo, e-mail, CPF ou número de telefone para associar a pessoa ao documento.
É ideal para documentos de baixo risco jurídico, cuja relação entre as partes já é conhecida e o contexto dispensa verificações mais rigorosas. Exemplos: aceites de termos de uso, pesquisas de satisfação e autorizações internas.
Assinatura eletrônica avançada
Oferece um nível mais alto de segurança. Possui mecanismos que permitem identificar o signatário com maior precisão. Nesse caso, biometria facial, tokens, validação por documento de identidade ou outros fatores de autenticação.
É a modalidade mais utilizada em contratos comerciais, documentos trabalhistas e operações financeiras que não exigem, por lei, o uso de certificado digital ICP-Brasil, mas que demandam rastreabilidade e robustez jurídica.
Assinatura eletrônica qualificada
É a modalidade com o maior nível de segurança jurídica entre as assinaturas eletrônicas. Utiliza um certificado digital ICP-Brasil (e-CPF ou e-CNPJ) para validar a identidade do signatário. Como resultado, garante autenticidade, integridade e validade jurídica plena ao documento, com presunção legal de veracidade.
É a modalidade exigida por lei para documentos que envolvem obrigações fiscais, trabalhistas e societárias. Por exemplo, contratos sociais, procurações, balanços contábeis e assinaturas perante órgãos públicos. Além disso, é recomendada para operações de alto risco jurídico ou alto valor financeiro, em que qualquer contestação futura precisa ser afastada com segurança máxima.
Diferença entre assinatura eletrônica, assinatura digital e assinatura escaneada
Essas três costumam gerar confusão, mas são bem diferentes entre si. Confira as características e aplicações de cada uma.
| Assinatura eletrônica | Assinatura digital | Assinatura escaneada | |
| O que é | Mecanismo digital de concordância sobre um documento | Tipo específico de assinatura eletrônica, baseada em certificado digital ICP-Brasil | Imagem de uma assinatura manuscrita inserida em arquivo digital |
| Validade jurídica | Sim, conforme a Lei 14.063/2020 | Sim, com presunção legal de autenticidade – Medida Provisória nº 2.200-2, de 2001 |
Não garante autenticidade nem integridade |
| Nível de segurança | Varia conforme o tipo (simples ou avançada) | Alto, vinculada à identidade do titular via certificado ICP-Brasil | Baixo, qualquer pessoa pode copiar e inserir a imagem |
| Quando usar | Maioria dos contratos e documentos empresariais | Documentos com exigência legal de certificado ICP-Brasil (notas fiscais, petições, documentos governamentais) | Não recomendada para documentos com valor jurídico |
Em resumo: toda assinatura digital é eletrônica, mas nem toda assinatura eletrônica é digital. A assinatura escaneada, por sua vez, não oferece nenhuma das garantias das anteriores.
Validade jurídica da assinatura eletrônica no Brasil
A validade jurídica das assinaturas eletrônicas no Brasil tem o amparo de um conjunto sólido de normas:
- Medida Provisória 2.200-2/2001: institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e reconhece a validade jurídica de documentos assinados com certificado digital (assinatura eletrônica qualificada).
- Lei 14.063/2020: estabelece os critérios para uso de assinaturas eletrônicas em interações com entidades públicas e em atos jurídicos em geral. Classificam em simples, avançada e qualificada (esta última equivalente à assinatura digital com certificado ICP-Brasil).
- Código Civil Brasileiro: reconhece a validade de documentos eletrônicos como prova em relações jurídicas.
Na prática, contratos assinados eletronicamente têm plena validade e podem ser utilizados como prova em processos judiciais. No entanto, a plataforma precisa manter registros de autoria, integridade e temporalidade do documento.
Importante: alguns documentos exigem, por lei, o uso específico de certificado digital ICP-Brasil. Por exemplo, notas fiscais eletrônicas, petições judiciais e documentos emitidos por órgãos públicos. Para esses casos, a assinatura eletrônica simples ou avançada não basta.
Quais documentos podem ser assinados eletronicamente?
A lista é extensa. A maioria dos documentos empresariais e contratuais pode ser assinada eletronicamente, sem necessidade de papel ou reconhecimento de firma. Confira os principais:
- Contratos comerciais e de prestação de serviços
- Contratos de trabalho e documentos de RH (admissão, demissão, advertências, férias)
- Propostas e orçamentos
- Termos de confidencialidade (NDA)
- Procurações
- Contratos de locação
- Documentos financeiros e bancários
- Laudos e relatórios técnicos
- Termos de aceite e políticas internas
- Documentos de saúde (com atenção às regulamentações específicas do setor)
Exceções: testamentos, escrituras públicas, contratos de transferência de imóveis e documentos que exijam reconhecimento de firma em cartório ainda requerem processos presenciais ou assinatura com certificado ICP-Brasil, dependendo da situação.
Veja também: Como assinar documentos digitais pelo celular ou tablet
Benefícios das assinaturas eletrônicas para empresas
Adotar assinaturas eletrônicas causa impacto direto em eficiência operacional, custo e segurança. Destacamos algumas vantagens da solução:
Velocidade: documentos que levavam dias para circular entre as partes passam a ser assinados em minutos. Você pode assinar de qualquer lugar, sem depender de agenda ou deslocamento.
Redução de custos: eliminação de gastos com impressão, papel, transporte de documentos e armazenamento físico.
Rastreabilidade completa: cada assinatura tem registro com data, hora, dispositivo e dados do signatário. Qualquer alteração posterior no documento é detectada automaticamente.
Escalabilidade: equipes de RH, jurídico, comercial e financeiro conseguem processar volumes maiores de documentos sem aumentar a estrutura.
Segurança jurídica: plataformas certificadas garantem a integridade do documento e a autenticidade das assinaturas, com trilha de auditoria disponível para uso em eventual contestação judicial.
Experiência do cliente: processos de assinatura simples e rápidos reduzem o abandono em fluxos de onboarding, contratação e fechamento de negócios.
Como escolher uma plataforma de assinatura eletrônica
Com diferentes opções disponíveis no mercado, alguns critérios são essenciais para a escolha atender às necessidades reais da sua operação:
Conformidade legal: a plataforma deve estar em conformidade com a legislação brasileira — Lei 14.063/2020 e, quando aplicável, com os padrões ICP-Brasil.
Níveis de assinatura disponíveis: verifique se a plataforma oferece assinatura simples, avançada e digital (com certificado ICP-Brasil), para atender diferentes tipos de documento.
Segurança e certificações: busque plataformas com certificações reconhecidas de segurança da informação e que utilizem criptografia para proteger os documentos.
Integrações: a plataforma deve se integrar com os sistemas que a sua empresa já usa: CRM, ERP, sistemas de RH, entre outros.
Rastreabilidade e trilha de auditoria: a assinatura precisa gerar um registro completo e imutável, disponível para consulta a qualquer momento.
Suporte e experiência do fornecedor: tempo de mercado, histórico de atendimento e capacidade de suporte técnico fazem diferença no dia a dia. Sobretudo em operações com alto volume de documentos.
Segurança e confiabilidade das assinaturas eletrônicas
A segurança de uma assinatura eletrônica depende diretamente da tecnologia e dos processos de cada plataforma. Os principais mecanismos que garantem essa segurança são:
Criptografia: os documentos são protegidos por algoritmos criptográficos que impedem qualquer alteração após a assinatura. Qualquer modificação no arquivo invalida automaticamente as assinaturas registradas.
Autenticação do signatário: plataformas robustas combinam múltiplos fatores de verificação de identidade. Os mais comuns são: e-mail, SMS, biometria facial, e validação de documento, para garantir que quem assina é quem diz ser.
Carimbo de tempo: registra o momento exato da assinatura, com precisão e rastreabilidade, usando servidores de tempo certificados.
Trilha de auditoria: log completo de todas as ações realizadas no documento — abertura, visualização, assinatura, recusa — com dados do dispositivo e localização.
Cuidados ao assinar documentos eletronicamente
Mesmo com plataformas seguras, algumas práticas são essenciais para garantir a validade e a segurança das suas assinaturas:
- Leia o documento antes de assinar. Parece óbvio, mas a agilidade do processo digital não deve substituir a análise do conteúdo.
- Use plataformas confiáveis e reconhecidas. Verifique se o fornecedor tem histórico sólido e, acima de tudo, se está em conformidade com a legislação brasileira.
- Proteja suas credenciais de acesso. Senha, token ou biometria utilizados para assinar são de uso pessoal e intransferível.
- Verifique a identidade de quem solicita a assinatura. Em casos suspeitos, confirme por outro canal antes de assinar.
- Guarde os documentos assinados. Mantenha uma cópia dos arquivos em local seguro, junto com o comprovante de assinatura gerado pela plataforma.
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